domingo, 28 de setembro de 2014

O que é sucesso para você?

Sobre felicidade


Eu estava tentando me recordar sobre quando eu comecei a gostar de viagens. Quando escrevi o post falando sobre a minha viagem para a França, achava que meu amor pelo mundo datava da época de escola, por ser uma amante de geografia e acima de tudo história. Mas não, não era. Pensando no post sobre a Grécia, quis buscar lá dentro de mim o início da minha paixão por viajar. Paixão essa que permaneceu adormecida por mais de uma década aqui no Japão.


Em um momento de profunda reflexão lembrei-me que meu pai tinha o costume de me levar muito criança para o aeroporto de Guarulhos em São Paulo só para ver os aviões decolarem e pousarem. Eu não devia ter nem 5 anos na época. Mas sabe quando você sente que isso foi plantado em você de alguma maneira ou de outra? Não sei se era um sonho do meu pai poder viajar o mundo e infelizmente nunca saberei por ele já faleceu, mas sei que uma das coisas que ele sempre me dizia é sobre ter ambição na vida. Não estou falando de ambição com conotação pejorativa, muito pelo contrário. Ambição de não estagnar, de sempre querer aprender mais e mais. De não se acomodar. E essa faísca nunca mais saiu de mim. O desejo de querer sempre ser um ser humano melhor permanece intocável, oriundo das sábias palavras paternas que pretendo passar adiante através dos meus filhos.


Logo depois, recordo que minha mãe sempre tentava dar um jeito de me levar para "passear". Meu pai não gostava muito de sair de casa, mas minha mãe não se prendia por isso. Dava um jeito para irmos aqui e ali e este dinamismo carrego no meu DNA sem sombra de dúvidas. Viajamos para Serra Negra uma vez e creio que essa sensação de liberdade era algo inestimável para minha mãe.
E outra coisa que ela também sempre me passou foi a admiração que ela tinha pelas minhas primas por parte de pai, muito mais velhas do que eu. Minha mãe acreditava que eu deveria seguir o exemplo de cada uma delas. Todas bem sucedidas na carreira e viajando o mundo todo. Eu observava elas, todas com 15, 20 anos a mais do que eu, uma simples criança na época. Tinha colocado na cabeça que deveria trabalhar em um banco pois afinal, minha prima viajava, era inteligente e sofisticada por trabalhar em tal lugar. Então a chave era entrar para um banco! Ou então ser engenheira como outra prima!  Como cabeça de criança é uma loucura não ?

Mas no final das contas o que uma criança não enxerga é que não basta um emprego bem remunerado ou um alto cargo para garantir a felicidade eterna. Infelizmente muitos ainda medem o sucesso alheio através de quantos imóveis a pessoa possui. Se isso fosse garantia de sucesso verdadeiro, não existiriam tantas pessoas bem sucedidas e infelizes.

E esse tipo de avaliação estende-se para quem está no Japão trabalhado principalmente. Você volta para o Brasil e as pessoas acreditam que você se tornou milionário. E se não estiver tão rico assim,  automaticamente já vira sinônimo de derrotado.

 "Ué, 10 anos de Japão e não tem pelo menos 2 casas e um carro 0km na garagem?"



Infelizmente não fulano. As coisas não funcionam como antes. No final da década de 80 e início dos anos 90 o salário para dekasseguis eram outro. Bem como as facilidades naquela época. Facilidades? O que era isso? Os pais de família que estavam trabalhando arduamente não tinham carro próprio como hoje em dia. Muito menos celular. Quiçá computador. Comer fora então era algo inimaginável. Os brasileiros daquela época tinham um objetivo mais sólido e uma maturidade diferente da de hoje em dia. Imaginou algum dekassegui usando seu suado dinheirinho em 1992 para viajar a passeio para a Tailândia? Nunca! Isso não era a meta! Sucesso era poder juntar o máximo que conseguir em um mínimo de tempo e voltar para a família que estava no Brasil. Luxos, coisas supérfluas eram totalmente dispensáveis. Conheci um senhor em 2000, remanescente deste período que passava o mês só com pão e ovo para guardar mais dinheiro. Hoje em dia não conheço quem guarde dinheiro, rs. Vivemos em outros tempos. Muitos escolheram fixar residência definitiva por aqui e isso muda totalmente o perfil do dekassegui. Se no começo dos anos 2000 encontrar pessoas sem trabalhar por opção própria no Japão era algo inconcebível, hoje em dia  é o que não falta. Muitas mulheres escolheram cuidar da casa e dos filhos. Muitos homens também preferem viver de seguro desemprego de tempos em tempos. Temos toda uma geração totalmente distinta da primeira, aquela lá dos anos 80. E por isso, não devemos fazer comparações, achar que agora é melhor ou pior, ou que quem está aqui no Japão é rico ou pobre. As coisas mudam, evoluem, assim como paradigmas antiquados que devem ser quebrados. Quem iria acredita que um dia pessoas poderiam viver basicamente de internet? Hoje em dia quem trabalha como datilografo? Rs

Hoje vejo que não consegui entrar num banco muito menos ser engenheira. Não viajei para Cancun ainda como uma prima e não trabalho numa multinacional renomada como outra. Não tenho 2 casas, 2 carros 0km e 1 cachorro me esperando no Brasil. Mas isso não me define melhor ou pior do que ninguém, muito menos mede meu sucesso pessoal. Pensando hoje com 30 anos, o que realmente conta não são  os números da conta bancária mas acima de tudo, o que posso fazer estes números ao longo da minha vida. Posso ter 1 real, 10 ou 1000. Saber usar este 1 real que seja com algo que realmente irá me trazer algum benefício e alegria  é o que acredito verdadeiramente ser a definição de sucesso para mim.

Um beijo,

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